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JOSÉ PROJECTO |
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São imensas as boas recordações que mantenho de uma infância essencialmente urbana,
mas profundamente influenciada pela actividade rural do meu avô materno e do meu pai.
Nos primeiros contactos com a natureza de que me lembro, assemelhava-me a um animal assustado
fora do seu meio ambiente, receando tudo o que me era estranho. Todavia, as longas férias de verão
que passava no campo junto dos meus avós, ajudaram-me a enfrentar o desconhecido e a desenvolver uma
enorme paixão pela natureza que ainda hoje subsiste.
Fascinado pelas formas e cores de tudo o que me rodeava, o desejo de representar
foi crescendo gradualmente, acentuado no início por uma imaginação fértil onde a ficção
e a realidade se confundiam, sob a influência dos "livros aos quadradinhos" que consumi
avidamente durante toda a minha juventude. O primeiro exemplar do "Falcão" que o meu pai
me ofereceu, teria eu quase seis anos, intitulava-se
O Segredo do Deserto e foi determinante para a minha adesão à BD.
Estreei-me no mundo editorial a partir de pequenas edições e posteriormente com a "Agência Portuguesa de Revistas"
e "Editorial Futura". Aos vinte e dois anos comecei a trocar a ficção pela realidade, assumindo os valores que
perduraram desde a minha infância e nos anos seguintes, dediquei-me exclusivamente à pintura, ilustração e contemplação
da natureza. Habituado ao mundo a "preto e branco" das minhas "pranchas" de BD, necessitava de explorar uma técnica que
retratasse o melhor possível as minhas observações da vida animal. Acabei por estabelecer uma boa relação com as aguarelas e
com os acrílicos utilizando também o guache para ilustrar alguns trabalhos. A paixão pela fotografia da natureza foi, e ainda é,
o ponto de partida para muitos trabalhos, não conseguindo dissociá-la da pintura, sendo a maior parte dos meus originais imaginados
a partir do visor da câmara fotográfica ou de uma ocular óptica.
Embora reconheça ter produzido vários trabalhos que se identificam com a ilustração científica, a minha pintura pretende
apenas partilhar com os outros a admiração que sinto pela natureza e a necessidade de apelar à sua conservação. O tipo de
pintura definida em inglês por wildlife painting (pintura de vida selvagem) influenciou muito o meu desenvolvimento
através de pintores contemporâneos, como o canadiano Robert
Bateman e o belga Carl Brenders.
Não posso deixar de mencionar Camille
Corot (1796-1875), um dos pintores do século XIX que mais aprecio.
Em Portugal, prefiro identificar-me com um dos períodos mais bonitos na história da arte portuguesa conhecido por
Naturalismo, corrente que deu origem à Pintura Naturalista.
Embora a representação da vida animal selvagem não fosse uma característica muito evidente nos originais que testemunham este período, a natureza
tinha particular destaque como se pode observar na obra dos pintores José Malhoa (1855-1933 ) ou
Silva Porto (1850-1893).
Agradeço à minha família e a todos os amigos que de alguma forma contribuem ou contribuíram para a divulgação do meu trabalho.
Obrigado pela sua visita. José Projecto. 2009 |
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| Som ambiente, amavelmente cedido por / Ambiance sound kindly provided by © Raimund Specht. |